motas eletricas

Testemunho Energica EVA

A expectativa

Apesar de toda a pesquisa que fiz sobre os 2 modelos da Energica e de, teoricamente, conhecer as motas, foi muito mais interessante conhecer os dois modelos ao vivo. Desde o momento que elas chegaram às instalações que me apercebi que estas motas em nada ficam a dever às suas semelhantes de combustão, esteticamente falando.

Motas Electricas

Primeiro contacto

Aqui começou a batalha entre os meus 25 anos de experiência com motos e este novo conceito de veículo de 2 rodas. A escolha da EVA em detrimento da EGO prendeu-se simplesmente pelo facto de ser a mota que mais se enquadra no tipo de motas que tenho tido e mais me agrada, o segmento das naked.

Apesar de as dimensões da mota serem as de uma mota normal, o peso devido ao centro de gravidade mais elevado nota-se quando parada, o facto de não haver qualquer barulho quando se liga a mota leva-nos a confirmar 2 e 3 vezes se realmente está pronta a rolar. O ecrã tft e os menus nele apresentados são de fácil utilização.

Motas eletricas

O arranque

Selecionado o modo cidade e a alta regeneração era hora de arrancar. Esta simples sequência de acções que tão enraizado está em quem anda de mota, é abruptamente interrompido, manete…. pois não tem! Passo seguinte pedal de mudanças também não tem, então arrancamos!! Com um ligeiro enrolar do punho direito e o som de algo que me remeteu imediatamente à minha infância, o carro elétrico telecomandado do meu colega da escola que eu sempre quis ter mas que infelizmente nunca foi possível, aquele silvo elétrico que durante todo o dia me acompanhou e que me pôs um sorriso na cara cada vez que acelerava.

A viagem

Está mota não é para cépticos nem “Velhos do Restelo”, temos experimentar com espírito aberto para este novo conceito.

Logo no início e pelo facto de não ter mudanças obriga a adoptar um estilo de condução totalmente diferente e depois o modo de regeneração que inicialmente se estranha mas depois se torna simplesmente delicioso e que quando bem utilizado nos poupa e muito as pastilhas de travão e dá mais uns kms de autonomia.

Se numa mota convencional temos que ter atenção aos carros e adoptar um estilo de condução que nos torne o mais visível possível, nesta mota esse exercício tem que ser redobrado pois além de normalmente não nos verem também não nos ouvem.

A aceleração é linear e rápida no modo cidade. Já no modo Sport é também linear mas muito mais acentuada dando a sensação de nunca parar de acelerar, está ao nível de muitas superdesportivas.

 

Primeiro Abastecimento / Carregamento

Com as Grutas de mira D’Aire como destino, chegou a altura do primeiro carregamento em Aveiras. A mota apresentava 40% de bateria e demorou 40 minutos a carregar. Inicialmente preocupado em como ocupar 40 minutos numa estação de serviço da A1, rapidamente me apercebi que está mota eram um magnet de curiosos, motard ou não, toda gente queria saber o que era como funcionava, autonomias, preços, etc. foram 40 minutos em conversa com pessoas de todo o país e estrangeiro. Foi interessante constatar que a grande maioria, apesar de ainda muito dependentes da combustão, assume que este é o caminho a seguir, encara a mobilidade eléctrica como o futuro.

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Fora da autoestrada

Este, é na minha opinião, o ambiente certo para esta mota. Saídas de curva em aceleração e entradas em desaceleração profunda. É aqui que conseguimos ter uma percepção real do sistema de regeneração. É aqui que notamos também a diferença do centro de gravidade da mota e que obriga a uma condução mais planeada e assertiva.

É aqui que se percebe que esta é uma mota bem construída, com uma boa ciclistica e apesar de estar equipada com um excelente sistema de travagem, esta quase não é necessária pois a desaceleração do motor cumpre exemplarmente essa função. Apenas notei o amortecedor de trás um pouco mole o que em algumas transições faz a roda de trás ressaltar um pouco mas acredito que ajustando o amortecedor para uma configuração mais dura resolve a questão.

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Regresso

Com 47%, e alguns kms para o posto de carregamento mais próximo os níveis de ansiedade começaram a aumentar. Para quem está habituado à practicidade de ter um posto de combustível em cada localidade, ter que gerir tanto o range como a % de bateria até ao próximo ponto de carregamento causa algum desconforto. A ansiedade aumenta na mesma proporção que diminui a % de bateria. O receio de ficar apeado invade o pensamento. Com quase 10% chego ao posto de carregamento e agora esperava-me 1 hora de carregamento. Entre novas conversas e cafés com curiosos o tempo passou e voltei novamente à estrada.

Com um range anunciado de 199kms e depois de um dia a adaptar-me à mota era tempo de experimentar o modo Sport. É insano. Com prestações equivalentes às de uma super desportiva e que facilmente nos colocam um sorriso no rosto. Rapidamente o range caiu para metade e toda a adrenalina que este modo nos proporciona é eliminado pelo regresso à realidade das %s de autonomia a descer.

Chegado a casa ainda com metade da bateria fica o sentimento de que poderia ter andado bastante mais e que o facto de ainda estar na parte ascendente da curva de adaptação me levou a ser extra cauteloso.

Testemunho: Ricardo Miranda, 38 anos, Comissário de Bordo na TAP

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