Mobilidade sustentável e inteligente

Inframoura

Vilamoura, tal como outros meios urbanos, tem o desafio permanente de ser atractiva, sustentável e competitiva, proporcionando qualidade de vida, às pessoas e tecido empresarial que residem e/ou circulam no seu espaço. Este desafio é ampliado pelo volume sazonal de visitantes, que cria picos nos recursos e infra-estruturas disponíveis.Tem bem presente que os meios urbanos têm interesse, não porque permitem muitas pessoas, mas sim pelo que acontece quando há tantas pessoas juntas. Neste contexto, a mobilidade e sustentabilidade, são temas estratégicos, pensados de forma integrada.

Criou um incentivo forte à utilização de veículos eléctricos,materializado no numero de postos de carga disponibilizados, a rede é constituída por seis postos dos quais cinco são de carregamento semi-rápido (2x22kW) e um de carregamento rápido (1x50kW+ 1x22kW). Esta aposta confere a Vilamoura o  titulo de melhor serviço ao nível da mobilidade elétrica do Algarve.

A mobilidade não é apenas sustentável mas acima de tudo é inteligente, com a promoção do uso da bicicleta (própria ou partilhável) e a devolução da “cidade” ao peão. Isto foi possível com a construção de 25 kms de ciclovias em 110 Kms de arruamentos e a requalificação do centro urbano. Para incentivar ainda mais a adopção desta forma de mobilidade, são partilhadas estatísticas do número de ciclistas e peões, em ecrãs instalados na via pública.

É igualmente importante a gestão de tráfego efectuada por um sistema integrado, que permite desvios de transito, para evitar congestionamentos quando existe aumento no fluxo de carros.

Todos estes pontos traduzem-se numa menor pegada ecológica, com a diminuição substancial da emissão de gases com efeito de estufa. Promove igualmente mudanças culturais nas relações do cidadão com o espaço urbano.

Para reforçar o posicionamento sustentável, a Inframoura – empresa que gere o espaço publico em Vilamoura – tornou a sua sede auto-suficiente com a utilização de sistemas fotovoltaicos para produção da própria energia e substituiu veículos a combustão utilizados para a leitura de contadores de agua, por scooters eléctricas.

Estes são excelentes exemplos, que passam uma mensagem muito forte.

Para reforçar o papel destas iniciativas, colocamos alguma perguntas ao Eng.º Paulo Reis,  da direção de Gestão Urbana e Manutenção da Inframoura.

 

1. Em linhas gerais qual é a missão da Inframoura ?

A Inframoura tem por missão prestar um serviço de excelência na gestão, conservação e  manutenção de todos os espaços públicos, respeitando o ambiente num registo de qualidade  superior e de sustentabilidade económico-financeira, que garanta elevados padrões de vida na  zona de Vilamoura e Vila Sol.

 

2. A sustentabilidade é encarada como um factor diferenciador e um motor para o crescimento ?

A Inframoura tem a sua actividade certificada pelos referenciais das normas da Qualidade  e Ambiente, apresentando-se como uma organização com um ADN ambiental muito  forte. Desde logo, todas as questões associadas à sustentabilidade estão no centro das  suas preocupações num processo desafiante de superação permanente e de melhoria  contínua da sua performance, na prossecução do desenvolvimento sustentável e  competitividade territorial.

 

3. Os 4 pilares estratégicos são Ambiente, Inovação, Mobilidade e Infraestruturas –  como é que estes pilares  são pensados no global e o que é que se pretende atingir  ?

Na verdade, não são só esses de que fala, o Plano Estratégico aponta para 6 na  totalidade. Falta referir os da Gestão do Espaço Público e o dos Recursos  Organizacionais. Contudo, é naqueles que identifica que encontramos o nosso ponto  focal, que se insere num planeamento estratégico iniciado em 2012 e desenhado para  20 anos. Neste preciso momento sofreu uma revisão por forma a melhor nos  prepararmos para os desafios emergentes quanto às variáveis da mobilidade, da  eficiência energética e da competitividade, com vista a qualidade e serviço a prestar  aos nossos clientes sejam residentes, sejam visitantes.

 

4. Sendo a inovação um dos pilares estratégicos, significa que existe margem para  experimentação e projectos piloto? Olham para bons exemplos de outras cidades ?

Se atentarmos ao Plano Estratégico, já referido, um dos eixos de ação do eixo  estratégico inovação é precisamente a “Conceção e desenvolvimento de novos  projetos”, o que reflete a predisposição e ambição da organização para abraçar novas  tecnologias para fazer face aos desafios a que se propõe na gestão das infraestruturas  e território de Vilamoura e Vila Sol. Naturalmente, procuramos estar atentos aos novos  desenvolvimentos e soluções tecnológicas que surgem diariamente evitando, contudo, o  deslumbramento e mantendo o foco naquilo que é a nossa missão e os objetivos a  alcançar.Os bons exemplos de outras cidades são obviamente uma inspiração.

 

5. Olhando para o pilar do ambiente. A instalação da central fotovoltaica em regime  de autoconsumo na sede da Inframoura, foi um passo importante para afirmar o  vosso posicionamento?

Estou certo que sim. A eficiência energética e a utilização de fontes renováveis são temas  consensualizados na sociedade, pelo todos os contributos são importantes. Enquanto entidade  que existe com a finalidade da prestação de serviço público, a Inframoura tem especial  responsabilidade na adoção das melhores práticas ambientais e de gestão. A instalação da  central fotovoltaica em regime de autoconsumo revela grande assertividade de atuação por  parte da Inframoura. No fundo, é mais uma peça do puzzle da sustentabilidade que se vai  construindo todos os dias e que estou seguro que reforça o nosso posicionamento estratégico.

Este é um projecto que queremos ver alargado às restantes instalações geridas pela Inframoura, prosseguindo objectivos de eficiência energética e adotando, sempre que possível e de forma racional, fontes de energia renováveis.

QUER FICAR A PAR DAS ÚLTIMAS NOVIDADES DA MOBILIDADE?

6. Qual o balanço actual da central fotovoltaica?

A central fotovoltaica foi instalada em estrutura de sombreamento de apoio ao edifício  sede da Inframoura e conta com 109 módulos solares. Estamos muito satisfeitos com os  primeiros indicadores de consumo. Por exemplo, o mês de julho revelou uma taxa de  autonomia de 97% e uma quota de autoconsumo de 100%. Desde a entrada em  funcionamento da central em 19 de junho, já foi evitada a emissão de 3,9 ton de CO2.  Face aos resultados extremamente positivos, solicitámos a reavaliação da certificação  energética do edifício, tendo-se obtido a classificação A+ (nível máximo), melhorando  dois níveis face à anterior classificação: B.

Para além dos 25kw instalados em regime de autoconsumo, o projeto previu desde logo  a instalação de 15kw adicionais para carregamento de viaturas elétricas da frota da  inframoura, pelo que a breve prazo teremos viaturas a circular com emissões zero,  movidas a energia solar.

 

7. O facto de as empresas e as entidades darem passos no caminho da  sustentabilidade, incentiva o “cidadão comum” a fazer o mesmo? Também é esse  o vosso objectivo ?

“Os avanços tecnológicos desempenham um papel importante, mas compete à  administração pública incrementar as mudanças culturais nas cidades, promover a  adoção de boas-práticas e motivar a sociedade para a mudança de hábitos”. Nas  palavras do Eng.º José Miguel, Presidente do Conselho de administração da Inframoura  no evento de inauguração da rede de postos de carregamento, “Cabe a nós criar as  condições propícias para a mudança de paradigma, que só se consegue com a  participação dos cidadãos. Em Vilamoura já temos bons exemplos disso, como o sistema  de bicicletas de uso partilhado e, a partir de agora, a rede de carregamento para  veículos elétricos. Estamos perante uma alternativa limpa em que os combustíveis são  substituídos por energia elétrica”.

 

8. Quais as razões principais para investir na instalação de uma rede de carregamento para veículos eléctricos?

De acordo com os dados da mobi.e, a região do Algarve representa apenas cerca de 3%  do projeto nacional. Esta percentagem, que se encontra sensivelmente alinhada com a  percentagem nacional da população residente nesta região, não tem em conta o efeito  da sazonalidade verificada neste território.

Em ambiente urbano, no Algarve apenas existem carregadores designados por normais  (lentos), cujo tempo de carregamento de cada viatura ascende a 6-8h para 100% da  bateria. Atenta a esta situação a Inframoura desenvolveu projeto para a implementação  de 5 postos de carregamento semirrápidos (2x22kWh): 1 hora para 80% da capacidade,  localizados junto das áreas de comércio e serviços, e 1 posto de carregamento rápido  (1x50kWh + 1x22kWh) (20-30 minutos para 80% da capacidade), localizado junto da via  distribuidora urbana (av. eng.º João Meireles).

Vilamoura passará assim a constituir-se como o lugar do Algarve com o melhor nível de  serviço no domínio da mobilidade elétrica, com uma capacidade de serviço de cerca de  12 viaturas/ hora.

 

9. A mobilidade eléctrica está a crescer no Algarve? Este tipo de iniciativas pode ser um acelerador?

Pelos dados nacionais disponíveis, a venda de viaturas elétricas encontra-se a crescer  exponencialmente. O Algarve não será exceção.

Com o fim da fase piloto da rede mobi.e, o projeto da Inframoura será seguramente um  catalisador para uma mudança de paradigma na região, com outras entidades públicas a  seguirem este caminho. Atendendo aos desenvolvimentos tecnológicos e a redução dos  preços das viaturas elétricas, quanto melhor for o nível de serviço dos postos de  carregamento públicos, maior será a motivação do cidadão para tomar a decisão de  adotar a mobilidade elétrica. A infraestrutura molda os comportamentos.

 

10. Como idealiza Vilamoura daqui a 3 anos?

A “cidade” é um projeto em permanente construção e eternamente inacabado. Vilamoura só  tem cerca de 50 anos.

Pessoalmente, espero que todos os stakeholders envolvidos no desenvolvimento de Vilamoura  possam compreender os desafios globais a que temos obrigatoriamente de responder e  integrar nas suas ações medidas que reforcem a sustentabilidade, diferenciação e  competitividade deste território de excelência.

Para mais informações sobre o

ENERGIA